2019-01-07

Ministra da Cultura sublinha a importância da coleção de Biografias de Grandes Figuras da Cultura Portuguesa Contemporânea da Contraponto: «um projeto extraordinário»

A 15 de fevereiro é publicada a primeira das seis biografias desta coleção

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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, que participou na sessão de apresentação à Comunicação Social da coleção de Biografias de Grandes Figuras da Cultura Portuguesa Contemporânea, da Contraponto, na Biblioteca Nacional de Portugal, enalteceu este «projeto extraordinário», afirmando ainda que «a identidade cultural de um país faz-se, também, através desse gesto tão humano de recordar, de evocar a sua história, através dos nomes que a marcaram nas mais diversas áreas da cultura». O editor da Contraponto, Rui Couceiro, destacou que esta coleção, «cujas obras são escritas maioritariamente por romancistas, tem como propósito contribuir para a tradição literária do país», à qual chamou «poder imaterial», através do reforço do «peso do género biográfico, ao qual a qualidade literária destas obras dará certamente um impulso».

A 15 de fevereiro é publicada a primeira das seis biografias desta coleção, um grande projeto editorial que irá permitir conhecer em profundidade personalidades extraordinárias dos séculos XX e XXI. O Poço e a Estrada, que irá retratar a escritora Agustina Bessa-Luís, é o primeiro volume a chegar às livrarias, estando à responsabilidade de Isabel Rio Novo o trabalho de biografar a escritora. Nas palavras da autora, os leitores desta biografia irão «descobrir uma pessoa ainda mais interventiva e inesperada, e em alguns pontos ainda mais controversa». As restantes cinco biografias estão à responsabilidade de Filipa Melo, que vai escrever a biografia da fadista Amália Rodrigues (1920-1999), Bruno Vieira Amaral a do escritor José Cardoso Pires (1925-1998), João Pedro George a do poeta Herberto Helder (1930-2015), Paulo José Miranda a do cineasta Manoel de Oliveira (1908-2015), a segunda a ser publicada, já em maio de 2019, e Filipa Martins a da poetisa Natália Correia (1923-1993).

A ministra da Cultura fez questão ainda de felicitar a Contraponto, que «desde que adquiriu esta sua identidade editorial, em 2016, tem-se afirmado como uma casa de referência na divulgação do género literário biográfico», sendo por isso «uma honra» poder estar presente nesta iniciativa. Graça Fonseca realçou também «a importância desta iniciativa não se resumir ao lançamento de um conjunto de biografias, mas antes por se traduzir na criação de uma coleção desta chancela editorial, vocacionada para este género com pouca tradição na literatura portuguesa, dedicada a evocar as mulheres e os homens que marcaram o século XX e o início do século XXI português e com um programa ao qual se pretende dar continuidade».

Bruno Vieira Amaral, que vai biografar José Cardoso Pires, revelou ter uma grande admiração pelo escritor e que este projeto o tem entusiasmado em particular porque vai permitir-lhe «fazer um retrato de uma pessoa, mas também de toda uma época, pela sua intervenção política e participação em projetos jornalísticos» e que tem sido «fascinante descobrir como é a vida de uma pessoa através, por exemplo, da correspondência trocada com companheiros da literatura».

Já Filipa Martins, responsável pela biografia de Natália Correia, tem estado envolta no misticismo da escritora e, em tom descontraído, acredita que, se Natália Correia ainda fosse viva, teria sido a escritora a encontrá-la a ela. «O espólio está muito bem preservado pela Direção Regional da Cultura dos Açores e eu piso terreno privado, como se olhasse pelo buraco da fechadura. É comovente sair da biblioteca com os dedos impregnados com o cheiro do tabaco da poetisa, que ela fumava enquanto escrevia, ou ter acesso aos originais dos poemas escritos à mão e perceber que as linhas saem enviesadas porque ela escrevia deitada de lado na cama», revelou a autora.

Filipa Melo, que vai biografar Amália Rodrigues, realçou que até agora impera sobre a fadista o retrato de uma diva natural e que esta biografia pretende fazer uma «representação o mais fiel possível de todos os aspetos da vida e da personalidade da biografada sem qualquer perspetiva romanceada». A autora espera que esta seja a «primeira biografia de aproximação mais formal» sobre Amália Rodrigues, que transmita a sua verdadeira natureza.

O sociólogo João Pedro George, a quem coube a responsabilidade de biografar Herberto Helder, acredita que esta biografia vai revelar-se «bombástica» e que provavelmente causará «irritação aos que o divinizam, ainda que também vá aproximar muitos leitores de Herberto Helder que, devido a este culto do divino, se têm mantido afastados por o considerarem de difícil leitura ou compreensão».

Paulo José Miranda, que vai biografar o cineasta Manoel de Oliveira, mostrou-se, à semelhança dos restantes autores, bastante entusiasmado com este projeto e revelou que chegou a integrar um dos seus filmes na qualidade de figurante. O autor desvendou que aguarda, por exemplo, o depoimento de Patti Smith, depois de ter ficado a saber que «certa vez em Milão, num jantar de homenagem a Patti Smith no qual estava Manoel de Oliveira, a artista, que é admiradora confessa do cineasta, convidou-o a assistir ao seu pocket show e a subir ao palco. Manoel de Oliveira passou a bengala ao seu produtor e passaram a música inteira – 'Because the Night' – abraçados. Tinha ele 96 anos».

Todos os livros da coleção Biografias de Grandes Figuras da Cultura Portuguesa Contemporânea terão sensivelmente 500 páginas e um preço estimado de 19,90 €, de modo a serem acessíveis ao público em geral.

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