Numa narrativa assente em relatos na primeira pessoa e em testemunhos da imprensa da época, João Reis Alves transporta o leitor para os frenéticos bastidores das eleições presidenciais de 1986. A história de A Segunda Volta começa em meados da década de 1980, com a união política entre Mário Soares e Carlos Mota Pinto, num contexto em que a democracia era ainda recente e o país enfrentava uma grave crise económica, e termina com o disputado confronto entre Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, em 1986.
Coligações improváveis, Conselhos de Estado de urgência, reviravoltas políticas e protagonistas carismáticos compõem o retrato de um tempo em ebulição, em que as eleições presidenciais mobilizaram como nunca o eleitorado português. A Segunda Volta eterniza episódios que ficaram na memória coletiva, como a mediática «paulada» a Mário Soares na Marinha Grande, o célebre sobretudo verde de Freitas do Amaral, os debates televisivos acesos e o sprint final que parou o país, como outras histórias e reflexões ainda desconhecidas do grande público.
Quarenta anos depois, A Segunda Volta propõe-se como um testemunho essencial para recordar o país que fomos e pensar o país que temos, num momento em que a possibilidade de uma nova segunda volta nas presidenciais de 2026 devolve atualidade à disputa de 1986. Ao revisitar figuras como Mário Soares, Freitas do Amaral, Carlos Mota Pinto, Maria de Lourdes Pintasilgo, Salgado Zenha e Francisco Pinto Balsemão, este livro convida a estabelecer paralelismos entre o passado e o presente e a refletir sobre a evolução da democracia portuguesa.